Última fronteira

Continente africano emerge com potencial em importantes setores da economia e perspectivas de se transformar numa nova China. Alimentos devem ser prioridade para o desenvolvimento da região.

Última Fronteira

Quando o Banco Industrial e Comercial da China, um dos mais valiosos do planeta, pagou US$ 5,5 bilhões por uma fatia de 20% do Standard Bank, em 2007, banqueiros se agitaram ao redor do mundo. A negociação com a instituição sul-africana mostrou que o continente não era mais uma curiosidade, e sim uma potencial fonte de lucros. “Agora todos olharão para a África”, previu Jacko Maree, chefe do Standard Bank, naquela ocasião. Ele estava certo. O continente emerge como uma área rica em recursos naturais – como ouro, cobre e petróleo – e as janelas do mercado se abrem para os mais variados negócios.

Ganha ainda destaque como alternativa de blindagem diante da piora do cenário internacional. É que o governo brasileiro vê no comércio exterior um reforço nas apostas já feitas no mercado doméstico. Por isso, a Apex Brasil, agência de promoção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, reuniu 55 empresas nacionais numa missão que teve como destino Maputo, capital moçambicana. A BRF estava entre elas.

“O continente africano é a última fronteira de crescimento e desenvolvimento, com 1 bilhão de pessoas”, afirma o diretor regional para a África da BRF, Luiz Oliveira. “Com a saturação e em alguns casos o declínio das economias desenvolvidas, as emergentes tornam-se alvos das empresas que almejam o crescimento contínuo”.

E alguns países africanos se enquadram perfeitamente nesse cenário. Tanto é assim que apesar do domínio dos países do BRIC, a África começa também a gerar empresas de classe mundial. “A melhora da situação política em países-chaves como a Nigéria, Angola, Moçambique, Quênia e Tanzânia, aliada ao crescimento da classe média e investimentos em infraestrutura, impulsionam a economia local”, avalia Oliveira.

Dar es Salaam, Tanzânia (à direita), Durban, África do Sul (abaixo) e Lagos, Nigéria (à esquerda)

Esse quadro dá ao Brasil um enorme potencial frente à crescente demanda mundial de alimentos, pelos motivos já sabidos: terra e água em abundância. Um sinal claro disso vem de números da própria BRF. Hoje, 12% das exportações da companhia são destinados ao continente africano.

Como alimentar uma população ainda carente de quase tudo? Faltam por lá investimentos em saúde, educação e infraestrutura energética e logística. O consumo de alimentos ainda é básico até pela precariedade de armazenamento e os hábitos variam muito de país para país. Todas essas características são levadas em conta pelo time da BRF designado para pesquisar e desenvolver produtos exclusivos para os consumidores africanos. Afinal, em todos os cantos do globo há investidores atentos para seus costumes. O continente formado por 53 países tem ativos com preços baixos, crescimento econômico e grande potencial de consumo. Exibe números invejáveis: possui um terço do urânio mundial, metade do ouro, dois terços dos diamantes e 10% das reservas estimadas de petróleo, além de ter acesso aos oceanos Atlântico e Índico. E tem tudo para se tornar a próxima China.

Continente em Números

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