sábado 24 Jun 2017

Suínos rumo ao Japão

O maior importador de carne de porco no mundo pode se abrir para receber produtos brasileiros em 2013. É uma ótima notícia para o Brasil – e para a BRF

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Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs

O setor produtor de carne suína no Brasil está perto de alcançar uma grande conquista: a abertura do mercado japonês. Caso as últimas pendências formais para a liberação dos negócios sejam removidas em breve, as exportações poderão começar em 2013.
“Estou otimista. A etapa mais difícil já foi ultrapassada”, diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). “Agora é só vencer algumas questões burocráticas.” O que falta é a definição da certificação sanitária para os produtos brasileiros que poderão entrar no Japão – último passo de um processo de aprovação que tem ao todo 12 etapas. A certificação terá de acompanhar cada contêiner embarcado. Há pelo menos cinco anos, Camargo batalha, no Brasil e no exterior, em prol da permissão para a venda de produtos suínos no mercado japonês, o maior importador mundial, com gasto superior a US$ 5 bilhões por ano. Em 2011, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Japão comprou 1,2 milhão de toneladas de carne de porco, principalmente americana. A abertura de um mercado desse porte, estima a Abipecs, pode somar no longo prazo 350 mil toneladas por ano às exportações do Brasil, que foram de 516 mil toneladas em 2011.

Antonio Augusto De Toni, VP de Mercado Externo da BRF

A perspectiva de liberação começou a se concretizar no fim de agosto, quando o governo japonês reconheceu o estado de Santa Catarina como área livre de febre aftosa sem vacinação – um pré-requisito indispensável para o fornecimento ao Japão. Após a certificação, será decidida a lista de frigoríficos aptos a embarcar suínos para lá, com base em sugestão do Ministério da Agricultura do Brasil. “O ministério está tomando o cuidado de indicar as fábricas mais qualificadas”, diz Antonio Augusto De Toni, vice-presidente de Mercado Externo da BRF. De acordo com ele, a companhia está habilitada a fazer parte da seleção: “Temos a moderna fábrica de Campos Novos, construída dentro dos melhores padrões mundiais, e vamos indicar também a de Herval d’Oeste, que sempre recebeu muitos investimentos”. A expectativa é que as vendas da BRF ao Japão alcancem US$ 200 milhões por ano dentro de quatro anos. Hoje, a exportação de suínos rende à empresa cerca de US$ 450 milhões por ano.
Além do que pode representar diretamente, a abertura do mercado japonês é relevante pela repercussão em outros potenciais compradores. “A chancela é o mais importante de tudo”, diz De Toni. União Europeia, México e Coreia do Sul são os próximos alvos. “Um mercado puxa outro”, afirma Camargo. “Esperamos que em seguida venha a Coreia do Sul.”

 

Tonkatsu, subuta, shabu shabu – e guioza

A imagem estereotipada sobre os hábitos alimentares no Japão é a de um povo que vive à base de arroz, peixes, frutos do mar, algas e alguns legumes, devidamente seguidos de um chá. É verdade que esses produtos são fundamentais nas refeições do povo japonês e, mais ainda, no cardápio dos restaurantes de origem nipônica no Brasil – onde nos acostumamos com os sushis, os sashimis e os tempurás. Mas as carnes têm também presença marcante na mesa japonesa atual, muito mais farta desde que o país se tornou um dos mais ricos do mundo, com poder de compra para importar o que não produz – 60% dos alimentos que consome vêm de fora.
A carne de porco, em especial, é tão apreciada que tornou o Japão o maior importador de produtos suínos do mundo. O porco aparece em diversos preparos na cozinha japonesa. O prato mais familiar aos brasileiros – também virou um sucesso aqui – é o guioza, pastelzinho de origem chinesa que pode ser frito, cozido ou grelhado. Nele, a carne suína misturada a legumes é o recheio. Também de origem chinesa, os japoneses consomem o subuta, que consiste de porco em pedaços com molho agridoce. Costeletas, filés ou lombos fritos e empanados são chamados de tonkatsu. No popular katsudon, uma tigela de arroz é coberta com porco cozido, cebola e ovo. Shabu shabu é um cozido em que a carne é mergulhada em caldo quente de peixe ou carne.
São múltiplas as formas de o consumidor japonês apreciar uma boa carne de porco. Em breve, de suínos criados no Brasil.

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