Rumo ao Nordeste

A Elegê prepara-se para aumentar sua presença na região – uma das que mais crescem no país – e se consolidar como marca nacional

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Elegê, marca de produtos lácteos da BRF, prepara sua ofensiva para aumentar a presença no Nordeste e consolidar sua bandeira em escala nacional. A marca já é vice-líder em leite UHT na  região, mas os planos vão além do leite de caixinha. Sua estratégia inclui o lançamento de produtos adequados ao consumo da região, novas embalagens, maior utilização de sua capacidade produtiva e logística reformulada para atingir pontos de venda de todos os tamanhos.

A marca já exibe músculos prontos para a jornada. A Elegê é líder nacional em leite UHT e tem bases solidamente fincadas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Sua diversificada linha de produtos concorre nas principais categorias dos produtos lácteos. A fábrica em Bom Conselho situa-se em posição estratégica, a três horas de Recife (PE) e tem capacidade para despachar refrigerados para os lugares mais longínquos da região.

Também na distribuição de produtos, há potencial de maior integração com a logística da Batavo, marca com a qual vai conviver nas prateleiras. E uma nova fábrica de margarina será  erguida no complexo de Vitória de Santo Antão.

“Estamos investindo na Elegê como marca nacional de alta qualidade a um bom custo-benefício”, diz Roberta Morelli, gerente de Marca e Inovação da unidade de lácteos da BRF. “Ela será estratégica para capturar volume de vendas no Nordeste.” A briga promete ser boa.

Com 54 milhões de habitantes e área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, a região tem o porte de um país como o Chile. E o crescimento econômico acima da média brasileira – em conjunto com o aumento de poder de consumo das famílias – acirra a concorrência num mercado com produto interno bruto estimado pelo Banco Mundial em US$ 206 bilhões em 2009. 

PEQUENO VAREJO

Com o enriquecimento, o mercado local se sofistica e abre espaço para produtos já consolidados em outras regiões. “Cerca de 40% das categorias existentes no mercado ainda não estão consolidadas no Nordeste, como petit suisse e leite UHT. Elas estão em fase de penetração nos lares”, diz Silvia Vanetti, coordenadora de Inteligência de Mercado da BRF.

Ampliar a presença na região depende da logística azeitada. O mercado nordestino se caracteriza pela pulverização de pontos de venda. “Mais da metade das vendas de iogurte se concentra no varejo tradicional e pequeno varejo”, confirma Luiz Franco, gerente de Marketing Refrigerados. “Temos de chegar ao lojista, mostrar assiduidade e construir uma relação de confiança.” Uma experiência piloto de distribuição dedicada a esse canal está sendo realizada em Pernambuco.

Já o leite UHT enfrenta barreira em mais duas características peculiares do mercado nordestino. Uma é a forte concorrência de marcas regionais, com preços menores e distribuição capilarizada. Outra é a presença consolidada do leite em pó, pela facilidade do armazenamento e da dosagem ao longo do mês.

“Estamos avançando na distribuição do leite longa-vida”, afirma Rosângela Barbosa, gerente de Marketing de Queijos e Leite UHT. “Mas não podemos abrir mão do leite em pó, uma categoria em que o Nordeste representa 65% do consumo nacional.”

A conquista do Nordeste começa no entendimento da forte cultura regional. Para a Elegê, o movimento vai se equiparar ao de produtores que avançam de países desenvolvidos para mercados emergentes, em busca de maiores volumes e melhor rentabilidade.

POR UMA DIETA MELHOR

Pesquisa mostra aumento mundial na procura por alimentos saudáveis

Para a população de baixa renda de países em desenvolvimento, a preocupação em consumir alimentos seguros e saudáveis é cada vez maior. Essa é uma das conclusões do último Tetra Pak Dairy Index, relatório anual da fabricante de embalagens Tetra Pak que ajuda os produtores a identificar horizontes de crescimento.

O estudo identificou por volta de 2,7 bilhões de pessoas que desejam uma dieta melhor, sobretudo para seus filhos. Com renda de US$ 2 a US$ 8 por dia, elas são responsáveis por 38% do  consumo global de produtos lácteos líquidos. Esse grupo representa cerca de 50% da população combinada de todos os países em desenvolvimento, metade da qual vive na Índia e na China e 5,8% no Brasil, especialmente no Nordeste.

A Tetra Pak espera que o consumo de lácteos líquidos cresça de 72,5 bilhões de litros em 2011 para quase 80 bilhões em 2014. É uma grande oportunidade para empresas de processamento e embalagem de laticínios.

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