segunda 26 Jun 2017

O risco sob controle

A gestão de risco, iniciada na área financeira, agora abrange os negócios e apoia a estratégia da BRF.

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Uma quebra de safra como a que ocorre nos Estados Unidos, afetando as cotações do milho e da soja. O perigo de um novo conflito no Oriente Médio. Uma mudança da política econômica. Um apagão de energia. Todas essas situações podem surgir diante de uma empresa como a BRF e por em risco suas metas de vendas e rentabilidade. Estar preparado para lidar com elas faz diferença nos resultados. Para enfrentar de forma mais eficaz contingências desse tipo, a BRF mantém, desde seu início, uma gerência de riscos. A equipe conta hoje com 14 profissionais, entre gerentes, coordenadores e analistas. “Levamos para toda a companhia um painel dos riscos aos quais está exposta”, diz Leopoldo Saboya, vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, a quem a gestão de risco está subordinada.

Trata-se de uma atuação preventiva. Compreende um monitoramento abrangente e contínuo de fatores que podem atrapalhar o andamento dos negócios ou causar perdas. Com informação à mão, é possível aos executivos agir antecipadamente. O estudo dos riscos leva, por exemplo, à decisão de expandir o confinamento de gado, para evitar que a empresa fique à mercê da flutuação dos preços do boi gordo comprado à vista. Ou pode indicar que é preciso distribuir a produção em vários estados para evitar a exposição total a um problema sanitário. “Fazemos a identificação, o mapeamento e a análise dos riscos mais relevantes para a companhia e informamos os gestores de negócios e a alta administração”, diz Christiane Assis, gerente executiva de Riscos da BRF. “Só não atuamos na neutralização, que fica a cargo de cada unidade.”

Christiane Assis (à esquerda, na fila de trás), gerente executiva de Risco da BRF, e parte da equipe da área

A montagem da estrutura de gestão de risco na BRF começou em março de 2010, partindo de uma política de risco financeiro criada pela Perdigão em 2006. Além do financeiro, outras áreas, como as de suprimentos e externa, mantinham sistemas de detecção e gerenciamento de risco. A criação de uma gerência específica permitiu reunir, comparar e ampliar as iniciativas antes isoladas. A gestão sistemática de riscos foi estendida do setor financeiro para os de bovinos, grãos, energia, açúcar e suprimentos. Desde 2011, já passaram por inspeção 144 locais da empresa. “Uma vantagem que temos é a independência para apontar de forma isenta os riscos”, afirma Christiane. “Para os gestores, indicamos oportunidades de aprimorar processos e fazer melhorias em geral.”

A gestão de risco traz resultados concretos, como a diminuição dos prêmios de seguros pagos pela companhia

Com o desenvolvimento de seu projeto de gestão de risco, a BRF já obteve reduções dos custos de seguros. A equipe da área recebeu da Swiss Re, uma das maiores resseguradoras do mundo, classificação AA, nota que apenas 15% das empresas avaliadas conseguem. “A gestão de risco é um fio condutor de sucesso e sustentabilidade que, ao final do dia, reduz a incerteza do fluxo de caixa e gera valor para o acionista”, diz Saboya.

A evolução da gestão de risco

Após fortalecer os pilares financeiro e operacional, a gestão de risco na BRF está evoluindo para uma abordagem mais associada aos negócios e à estratégia. Até 2015, deve alcançar o estágio de Gestão Ampla do Risco Empresarial. A empresa toda terá então uma cultura de risco com máxima transparência para a alta administração tomar decisões.

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