O desafio de chegar ao consumidor

Novos veículos, como um triciclo para entregas urbanas, e quatro novos centros de distribuição ampliam a logística da BRF.

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Desde janeiro, alguns pontos de venda na cidade de São Paulo vêm recebendo a visita de um novo tipo de entregador de produtos da BRF. São triciclos: basicamente motocicletas acopladas a baús com duas rodas. Pequenos e ágeis, esses veículos, com capacidade para 200 quilos de carga, constituem uma saída encontrada pela empresa para superar parte das dificuldades crescentes da distribuição de mercadorias em áreas urbanas congestionadas. É o caso do perímetro central da capital paulista, cada vez mais sujeito a restrições de tráfego e de estacionamento. Em breve, a BRF deve contar com cerca de 200 triciclos para chegar mais facilmente a milhares de clientes, como padarias, mercados e mercearias, não só em São Paulo como também no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

O triciclo é apenas uma das novas soluções que a BRF desenvolve para aprimorar ainda mais o seu sistema de abastecimento e distribuição.

A infraestrutura  do país não favorece a distribuição. Mas, com planejamento, a BRF consegue manter um custo competitivo de logística.

Outras opções, incluindo desde carrinhos com capas térmicas para rotas curtas até carretas com dois baús ou mais para o transporte de grandes volumes, passando por veículos de porta lateral que oferecem acesso mais rápido às mercadorias, estão em projeto ou já incorporadas à operação logística da BRF, um dos pilares estratégicos do negócio. “Este é o ano da implementação de mudanças para atender ainda melhor à demanda dos clientes, considerando a integração de nossas marcas”, diz Luiz Henrique Lissoni, vice-presidente de Supply Chain da BRF.

Além de adotar novos veículos de transporte, até o fim do ano a BRF irá inaugurar quatro centros de distribuição. Em Salvador, será aberto o CD mais automatizado do setor de proteína animal do país. Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro também terão novos centros. Ao todo, a BRF opera hoje com cerca de 80 centros de concentração e distribuição de cargas, incluindo os armazéns integrados a suas fábricas. Em Jundiaí e Embu, cidades próximas a São Paulo, estão situados os dois maiores centros de armazenagem de produtos refrigerados do país.

SINCRONIA DE RELÓGIO

O trabalho da área chamada de Supply Chain, que compreende desde planejamento, compras, abastecimento da produção até entrega dos produtos aos clientes, é uma das maiores operações desse tipo entre empresas brasileiras. Apenas no que diz respeito à distribuição, trata-se de levar um portfólio de 800 produtos, entre secos e refrigerados, até 150 mil pontos de venda espalhados por todos os estados e municípios do Brasil, para alimentar diariamente dezenas de milhões de consumidores. Os produtos saem de 61 fábricas da BRF, localizadas em 11 estados.

Para que a cadeia toda funcione como um relógio, é preciso haver entrosamento perfeito entre os elos que a compõem. A equipe de vendas da BRF tem de estar alinhada com os pedidos dos clientes e, de preferência, antecipar suas demandas. O acerto de suas previsões é decisivo para o planejamento de toda a operação. A malha de distribuição física e o sistema produtivo da empresa precisam estar sincronizados. A produção deve dar conta do fornecimento na quantidade, na qualidade e na variedade pedidas. À logística cabe providenciar as entregas no local e no tempo exatos. “Temos uma máquina que, para funcionar bem, depende de que cada parte faça bem o seu trabalho”, afirma Lissoni.

Luiz Henrique Lissoni, vice-presidente de Supply Chain da BRF

A BRF emprega praticamente todas as modalidades de transporte para levar ao ponto de venda produtos das marcas Perdigão, Sadia, Batavo, Elegê, Cotochés, Qualy, entre outras. As distâncias mais longas são vencidas por navios e até por aviões. No mercado interno, a maior parte da carga chega ao destino por meio de trens e de caminhões de diversos portes – a frota terceirizada que serve à BRF soma 8 mil deles.

A infraestrutura do país não favorece o trabalho de distribuição. Portos congestionados e com dificuldade de acesso, malha ferroviária reduzida e cortada por invasões urbanas e rodovias em estado precário são marcas comuns da maior parte da estrutura de escoamento do país. Isso torna os custos para a distribuição no Brasil mais elevados que os dos países desenvolvidos. De acordo com estudos de especialistas, o custo logístico brasileiro varia entre 12% e 15% do Produto Interno Bruto. Nos Estados Unidos, essa conta corresponde a 7% do PIB e, na média dos países desenvolvidos, é de 9%.

Apesar de tudo isso, a BRF tem conseguido manter seus custos logísticos dentro dos padrões das economias mais competitivas do mundo. Para conseguir esse resultado, a empresa segmenta a entrega de acordo com os canais de venda – de uma padaria a um hipermercado. “Os serviços são formatados conforme as necessidades de cada tipo de cliente e planejados para o uso da melhor modalidade de transporte, ou da melhor combinação de modais em cada situação, lidando com os problemas de infraestrutura de cada roteiro”, diz Lissoni. E, nessa batalha diária para cumprir as missões de entrega e manter os custos competitivos, as soluções inovadoras, como os triciclos, são valiosas.

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