sábado 24 Jun 2017

Muito espaço para crescer

O mercado de alimentos processados, foco da BRF, cresce 6% ao ano no Brasil – parte de uma expansão total que pode chegar a R$ 300 bilhões na década

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Mesmo com desaceleração recente no passo da economia brasileira, a expansão do consumo interno se mantém forte no país – e vai continuar gerando oportunidades para as empresas. No campo dos alimentos, um dos setores em que a tendência é mais sólida, a BRF tem planos para tirar proveito do enorme espaço que o mercado brasileiro oferece aos negócios. Para dar uma ideia, o consumo nacional de alimentos processados tem se elevado à taxa de 6% ao ano, bem acima da média esperada para o avanço do Produto Interno Bruto. “E esse crescimento tende a se acelerar nos próximos anos”, diz José Eduardo Cabral, vice-presidente de Mercado Interno da BRF. “O aumento da renda e as mudanças de hábitos dão o impulso.” Os processados, como pratos prontos e congelados, representam cerca de três quartos do volume de produtos que a companhia vende dentro do Brasil.

Um estudo realizado pela consultoria internacional McKinsey deu números ao que pode ser a ampliação do consumo brasileiro ao longo da década que vai até 2020. Neste período de dez anos, os gastos das famílias no país devem crescer em termos reais quase 40%. Em moeda constante, isso significa aumento de R$ 1,3 trilhão, para alcançar R$ 3,5 trilhões em 2020. O Brasil deverá ser, então, o quinto mercado consumidor do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China, Japão e Alemanha. Particularmente o setor de alimentos, aqui incluídas as bebidas não alcoólicas, deve ter expansão estimada em R$ 300 bilhões. Esse valor equivale a 12 vezes o que a BRF fatura por ano atualmente. “Isso mostra o enorme potencial que temos pela frente”, afirma Cabral.
Outro aspecto do mercado mensurado pela consultoria é o quanto as oportunidades estão espalhadas pelo país. Os dados indicam que o Brasil reforça ainda mais sua característica de país altamente urbanizado. Na fase atual, é das cidades pequenas e médias que se pode esperar o maior salto de consumo. De cada R$ 10 de ampliação dos gastos, R$ 6 deverão vir dos centros com até 500 mil habitantes. Nas cidades pequenas, com até 20 mil habitantes, a taxa de crescimento projetada é chinesa: 9,6% de média anual. Em contraste, as metrópoles, com mais de 1 milhão de habitantes, devem apresentar expansão de 7,7% ao ano nos gastos.

Emergência no Nordeste

 
Além de se distribuir mais pela pirâmide das cidades, o crescimento tende a se espraiar geograficamente. O destaque continua a ser a emergência do Nordeste, a segunda região mais povoada no país, com 54 milhões de habitantes. No seu interior, onde vivem 20 milhões de pessoas, o avanço do consumo ocorre ao ritmo de 11% ao ano. Cidades como Juazeiro do Norte (CE) e Paulista (PE) são exemplos de uma nova pujança. Pernambuco, aliás, sobressai como o estado em que o crescimento será mais forte: a previsão é que o consumo local triplique ao longo do período de 2010 a 2020. A BRF está atuante em relação a essas tendências. Na cidade pernambucana de Vitória de Santo Antão, o complexo industrial recebeu investimento de R$ 140 milhões em 2012 para expandir a produção, abrigando a primeira fábrica de margarinas da empresa no Nordeste. “As famílias nordestinas utilizam mais margarina para cozinhar, um costume diferente do observado no Sul e no Sudeste, onde se prefere óleo”, diz Cabral. O atendimento às diferenças de gosto, num país de grande diversidade, é uma fonte de negócios para a companhia. “Temos de localizar hábitos, sabores e paladares”, afirma Cabral. Mais um exemplo citado por ele: em Minas Gerais, o pescoço de peru é considerado uma iguaria. Como a BRF produz grande quantidade da ave, pode atender a essa preferência.

A outra vertente que norteia o crescimento é a da conveniência. Com cada vez mais mulheres trabalhando fora de casa, a praticidade oferecida pelos pratos prontos ou semiprontos é um atrativo requisitado. “Atendendo a essas tendências com a ampliação do nosso portfólio, já estamos capturando a expansão do mercado brasileiro e vamos avançar ainda mais”, diz Cabral.

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