segunda 23 Out 2017

Mais verde, com custo menor

Um projeto inovador desenvolvido pela BRF permite corte no custo de transporte e redução da emissão de poluentes

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A BRF completa neste mês de maio os testes com mais uma iniciativa para aumentar a competitividade de sua logística. O resultado obtido no projeto piloto é expressivo: redução de 45% na emissão de gases de efeito estufa e corte de 25% no custo operacional. A região escolhida para testar a ideia abrange as cidades de Macaé e Campos dos Goitacazes, no norte fluminense. A entrega de produtos da BRF ali tem como ponto de partida o centro de distribuição de Duque de Caxias, no Grande Rio. Até recentemente, o abastecimento exigia a partida diária de sete caminhões carregados com até 7 toneladas cada, percorrendo cerca de 700 quilômetros entre ida e volta. O trabalho demandava sete motoristas, que, por serem contratados na Baixada Fluminense, precisavam pernoitar e ficar até três dias longe das famílias. Os veículos tinham de rodar 1 milhão de quilômetros por ano e, com seu consumo de óleo diesel, emitiam o equivalente a 332 toneladas de gás carbônico.

A Engenharia Logística criou um sistema de transferência de carga que deve ser patenteado

Desde agosto, a equipe foi reduzida para cinco motoristas, a quilometragem percorrida nas rodovias diminuiu para menos de 200 mil por ano e a emissão caiu para 159 toneladas. Como? O serviço que era feito diariamente por sete caminhões passou a ser possível com uma única carreta frigorífica com capacidade para 18 toneladas. Dentro do baú da carreta, a carga é acomodada em carrinhos. A carreta vai até um ponto de transbordo em Campos, onde a carga é transferida para caminhões menores, que fazem a distribuição local. Para facilitar a transferência, foi criada uma espécie de túnel por onde passam os carrinhos. Agora, a carreta faz uma viagem diária, chega ao final por volta das 5 horas da manhã e permite que as entregas sejam feitas ao longo do dia. “Ganhamos em custo do frete, número de pessoas e gasto com combustível”, diz Luciano Farago, coordenador de Engenharia Logística da BRF. “Há ainda ganhos intangíveis, como a menor exposição aos riscos da estrada e o maior conforto dos motoristas, que deixaram de ser visitantes para ser mão de obra local.” Isso porque a BRF trocou os caminhões médios por veículos menores, que ficam em Campos para a parte final da entrega. No aspecto ambiental, o ganho obtido equivale ao plantio de 690 árvores.

Os carrinhos e o túnel de transferência são uma inovação desenvolvida pela BRF, encomendada a fornecedores especializados e repassada aos transportadores terceirizados. O sistema teve pedido de registro de patente encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
Com a finalização do teste, o projeto poderá ser reproduzido em outras regiões que demandem viagens de 200 a 300 quilômetros entre armazéns e clientes. É o caso de várias cidades do interior dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia. O total mapeado é de 16 regiões com possibilidade de aplicação do projeto. “Provando-se robusta, a solução vai ajudar no nosso objetivo de fazer o transporte mais eficiente e mais barato possível”, diz Farago.

De acordo com Jacira Santos, especialista em logística e responsável pela implantação da solução, houve melhora no nível de serviço aos clientes, que antes demoravam até 72 horas para receber os produtos e agora recebem em 24 horas. “Isso vem permitindo o aumento no volume de vendas e já estamos estudando o incremento de veículos para atendimento da região”, diz Jacira.
Ainda neste ano, a solução será aplicada para o atendimento de Volta Redonda, também no Rio de Janeiro. Lá, o projeto começará com duas carretas para transferência e nove veículos menores para distribuição.

Nessa configuração, haverá redução de seis veículos na frota. E mais ganho para o ambiente.

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