segunda 23 Out 2017

Compras inteligentes

A Inteligência de Suprimentos, um time montado para buscar eficiência nas compras da BRF, pode também trazer inovação para a empresa

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Há cerca de um ano, a BRF criou a Inteligência de Suprimentos, um time que dá suporte aos negociadores da empresa nos encontros com seus fornecedores. O objetivo da área é maximizar a economia e a eficiência das compras, mediante o fornecimento de informações cruciais que possam influir no curso das negociações. Trata-se de uma inovação no mercado de alimentos.

“Poucas empresas no Brasil possuem uma área como a nossa”, conta Chau Hue, coordenador administrativo do setor. “Em Compras, muito do que está na pauta são reajustes de mercado. Mas os negociadores têm pouco tempo para acompanhar diariamente a tendência de preços dos diversos insumos, além da conjuntura econômica doméstica e mundial.”

Segundo Chau, a missão de sua área é fazer o acompanhamento dos indicadores econômicos, entender as tendências da conjuntura e traduzir para os negociadores seus possíveis impactos atuais e futuros nos insumos e serviços. Por exemplo, como o possível abandono do euro pela Grécia ou a desaceleração da economia chinesa fariam baixar o preço dos itens. “Nosso desafio é entender o ciclo tortuoso da economia, seu impacto para a Diretoria de Compras e traduzir teorias difíceis e jargões da economia para a linguagem comum”, resume.

DECISÕES RÁPIDAS

Mensurar a contribuição desse trabalho em moeda sonante ainda é difícil. “Não participamos das mesas de negociação, mas alguns feedbacks mostram que foi possível, com os fundamentos de mercado, tornar as negociações mais dinâmicas e embasadas”,  informa Chau.

Juliana Horita, Chau Hue e Denise Kasaishi

Juliana Horita, Chau Hue e Denise Kasaishi

Para maior agilidade no atendimento aos negociadores, a área criou instrumentos que procuram antecipar demandas. Um deles são pequenos relatórios mensais com dados de interesse comum. Outro relatório mensal informa preços de referência selecionados.

E agora estão criando uma ferramenta bastante utilizada no mercado financeiro – a análise gráfica – para apontar visualmente se um preço tende a cair ou subir. “Identificamos mais de 60 indicadores relevantes, e a ideia é fornecer recursos para decisões rápidas de negociadores e gerentes”, afirma Chau.

A área desenvolve também um projeto de gerenciamento de riscos de fornecedores. Ainda em fase inicial, o trabalho visa medir riscos e estruturar contingências. Um fornecedor pode parar o trabalho devido a riscos financeiros – problemas de caixa ou falência; e riscos de ruptura – uma greve num porto, por exemplo.

Um evento como esse é tanto pior quanto maior a concentração de fornecimento. “Estamos selecionando critérios para dar notas com o cruzamento de todos esses riscos”, explica Chau. “Almejamos garantir a sustentabilidade do fornecimento de insumos, de forma a minimizar o risco de nossos clientes não encontrarem os produtos que desejam na sua mesa.”

A criação das células de Inteligência é uma tendência recente no país. Na BRF, foram implantadas nos setores de Marketing, Comercial, P&D, Mercado Planejamento Estratégico e Mercado Externo, além de Suprimentos. Mais à frente, Chau vê o setor trazendo cada vez mais valor às empresas. “Por exemplo, há empresas muito inovadoras entre os fornecedores”, afirma.
 
“Podemos – e devemos – estruturar um processo para torná-las parceiras na geração de valor, uma busca incessante da BRF, e cada vez mais Suprimentos terá um papel importante, alinhando parceiros estratégicos com os objetivos de longo prazo da  companhia.”

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