Cidadãos do mundo

A BRF conta com 76 brasileiros trabalhando em suas operações no exterior. Eles têm a oportunidade de contribuir com o processo de internacionalização da companhia e, ao mesmo tempo, viver uma cultura diferente

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Xangai, Buenos Aires, Cairo, Londres, Moscou, Johanesburgo. A BRF e suas marcas estão presentes nos quatro cantos do mundo. Nossos produtos chegam a 120 países. A companhia tem 11 fábricas e 19 escritórios fora do Brasil. E, para gerir essa operação in loco, a BRF mantém nos seus principais centros globais de negócio um time de executivos e técnicos brasileiros que trabalham lado a lado com os funcionários de outras nacionalidades.

Para cuidar de tudo o que está relacionado ao trabalho de brasileiros no exterior, a empresa tem uma frente de International Human Resources, alocada na Diretoria de Desenvolvimento Organizacional e Recursos Humanos Internacional da companhia, coordenada por Miriam Paoliello. Ela chegou à BRF há dois anos e trouxe consigo uma rica experiência na área de transferência internacional de executivos. “Cuidamos desde a apresentação de uma proposta para o funcionário ocupar um posto fora do Brasil até a volta dele”, diz Miriam. O mais comum na BRF são transferências de longo prazo, que compreendem períodos de três a cinco anos. Mas há expatriações de curto prazo, para prestar serviço fora por três a 12 meses. Alguns dos expatriados já passaram por mais de um lugar no exterior como funcionários da empresa.

Transferências por períodos de três a cinco anos são as mais comuns

Para atender a necessidades específicas de escritórios e operações no exterior, a avaliação inclui o histórico profissional e pessoal, a capacitação técnica para cumprir a função e a proficiência em inglês ou outra língua estrangeira. Antes de partir, todos recebem um treinamento que se estende à família, focando as implicações de uma mudança desse tipo, especialmente no campo cultural. Para resolver questões como documentação, busca de nova residência e de escola para os filhos, a BRF tem fornecedores especializados. Contando com o apoio do departamento de RH, Miriam tem também a missão de manter o acompanhamento remoto dos expatriados e de atualizar permanentemente o processo. “Estamos sempre atentos às melhores práticas do mercado nessa área”, afirma ela. Em uma empresa cada vez mais globalizada, é uma necessidade crescente.



Antonio Zanella, diretor de Administração e Finanças no Conosul

Catarinense, o economista Antonio Carlos Zanella, de 47 anos, tem duas filhas adolescentes. Atualmente, as meninas, de 14 e 17 anos, estão aprendendo sua segunda língua estrangeira. Já fluentes em inglês, agora é a vez do espanhol. Há cerca de um ano, Zanella mora em Buenos Aires, sua base para exercer a função de diretor de Administração e Finanças no Conosul, área que engloba as filiais na Argentina, no Uruguai, no Paraguai e no Chile e fatura algo em torno de US$ 800 milhões por ano.

É a terceira missão que Zanella desempenha para a BRF no exterior. Em 2008, morou em Assen, na Holanda, para cuidar da integração da Plusfood, que havia sido recém-adquirida pela Perdigão. Depois, mudou para Viena, na Áustria, com a incumbência de estruturar o escritório da Crossban. Após dois anos, sua passagem pela Europa foi interrompida pela fusão da Perdigão e Sadia. Ele foi chamado de volta ao Brasil para ser diretor de Controle da BRF e, sucessivamente, foi diretor de Planejamento Estratégico, de M&A e de Novos Negócios. Até que, no ano passado, partiu para a Argentina, país em que, de acordo com ele, a adaptação foi mais fácil por ter muitos hábitos semelhantes aos do Sul do Brasil. “Bueno, da carne com certeza não há o que reclamar”, diz Zanella. Diferenças de comportamento e de costumes ele encontrou mais na Europa.
“Como lá as pessoas são mais fechadas, volta e meia não
sabia qual seria a reação diante do que eu falava. Tinha de ir testando.” A conclusão: “Gosto de desafios. Mas os desafios fora do seu país se tornam maiores ainda.”


Renato Koch, gerente regional de Vendas no Oriente Médio

Ter cuidado para não mostrar a sola do sapato quando cruza as pernas, o que é considerado um insulto. Nunca cumprimentar uma mulher local com beijo, e somente apertar-lhe a mão se ela tomar a iniciativa. Na Arábia Saudita, em um estabelecimento comercial, prestar atenção à hora da reza, quando tudo para por 30 minutos. Não pedir bebida alcoólica no restaurante se estiver acompanhado de um cliente local. Essas foram algumas regras de convivência com muçulmanos que Renato Koch aprendeu em quase três anos fixado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Administrador de empresa com especialização em comércio exterior, de lá ele desempenha a função de gerente regional de Vendas no Oriente Médio, região que compra um terço dos produtos exportados pela BRF. Outra recomendação que Koch está seguindo é aprender o básico de árabe para quebrar o gelo nas negociações. Mas Dubai é uma Babel e oferece a ele a oportunidade de praticar os cinco idiomas que domina: português, inglês, espanhol, francês e polonês. “No nosso escritório, temos gente de 13 nacionalidades, o que proporciona uma grande experiência de lidar com diferenças culturais.” Do lado de fora, a ultramoderna e cosmopolita Dubai é um centro com 75% de estrangeiros, de 180 procedências, numa população de 2,3 milhões de habitantes. Aos 34 anos, solteiro, Koch já morou, também pela BRF, na África do Sul. E só pensa em rodar mais o mundo. “Não pretendo voltar ao Brasil tão cedo, pois vivo o que sempre quis fazer desde os tempos de faculdade.”

Rogério Moraes, gerente regional na China

Aos 44 anos, Rogério Moraes trabalha na BRF há 11. Formado em administração de empresa com especialização em gerenciamento de empresas globais na Insead da França, ele já ocupou o posto de diretor de Marketing Internacional na companhia. Há dois anos e meio, porém, vem passando por sua primeira expatriação. Agora ocupa o posto de gerente regional da BRF para a China e Hong Kong. Seu escritório fica em Xangai, centro financeiro, comercial e portuário que é também a maior cidade chinesa, com mais de 23 milhões de habitantes.

A operação na China já representa faturamento anual de meio bilhão de dólares para a BRF. A maior dificuldade de Moraes, nas suas próprias palavras, é a adaptação ao modo chinês de trabalhar. Para isso, está aprendendo e já consegue se comunicar na principal língua oficial do país, o mandarim. “O ambiente é desafiador e oferece uma grande oportunidade de aprendizado”, ele afirma. Sua família, formada pela mulher e os dois filhos, o acompanha e tem aproveitado bem a experiência de conviver e aprofundar o conhecimento de uma cultura muito diferente da brasileira. O balanço, portanto, é amplamente positivo.


O que é a BRF fora do Brasil

A empresa tem uma presença global crescente com  exportações e uma operação própria que já está em diversos países com:


19 escritórios comerciais

 


11 unidades industriais

 


22 centros de distribuição na Argentina

 


210 produtos lançados em 2012

 


2 joint ventures (China e Emirados Árabes Unidos)

 

 

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