segunda 26 Jun 2017

“A nossa vocação é abastecer o mundo”

Para Abilio Diniz, a BRF tem tudo para crescer mais, tanto no mercado interno quanto no externo

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Na manhã de 30 de abril, durante a apresentação dos resultados da BRF no primeiro trimestre de 2013, o novo presidente do Conselho de Administração, Abilio Diniz, deu as primeiras declarações públicas sobre a companhia diante de analistas de mercado e jornalistas. Estavam à mesa também o presidente executivo, José Antonio do Prado Fay, e o vice-presidente de Finanças, Administração e Relações com Investidores, Leopoldo Saboya. A seguir, as principais mensagens de Abilio:

Transição bem executada: O trabalho da fusão até agora, principalmente para cumprir as determinações do Cade, foi feito com muita competência e profissionalismo, pelo Nildemar e pelo Fay, liderando a equipe da companhia. Não deve ter sido um período fácil. Eles prepararam a companhia para ela ser o que quiser.

Oportunidades no país: As oportunidades no mercado interno são grandes. Embora nossa participação já seja relevante, podemos crescer, não com aquisições, mas organicamente, e melhorando processos. Temos espaço para o lançamento de novos produtos e muito a explorar.

Internacionalização: Sendo o Brasil um celeiro do mundo, a vocação da BRF é abastecer o mundo. A internacionalização é inevitável e é boa para a companhia. Quem estuda a história vê que as empresas que se internacionalizaram com sucesso tiveram desempenho melhor, inclusive no seu país de origem. Quando se internacionaliza, a companhia assume novos desafios, adquire novos hábitos, conhece novos povos, fica mais ágil.

Vender mais marca: É evidente que queremos continuar a vender commodities no mercado externo. Mas queremos vender muito mais marca. Atendi recentemente um fundo da Arábia Saudita e fiquei impressionado com o que eles falam da marca Sadia. Temos uma força enorme no mundo árabe sem ter penetrado ainda em países como a Indonésia, que é a quarta população do mundo, com 240 milhões de habitantes. Há Malásia, Filipinas. Além do que, pode-se fazer muita coisa ainda na Europa e nos Estados Unidos. Enfim, existe um mundo a ser conquistado.

Zelo pelo retorno: Compete a mim, como presidente do Conselho de Administração, zelar para que o acionista seja cada vez mais bem remunerado pelo dinheiro que tem aqui dentro. Vamos olhar com muita atenção o retorno de cada centavo de investimento.

Saber vender: A BRF está preparada para o crescimento na parte industrial, com produtos excelentes, e vamos aproveitar.
Quando se tem um bom produto, o importante é saber vender, tanto no mercado interno quanto no mercado externo.

Da reestruturação à empresa global
Nildemar Secches liderou a BRF e obteve bons resultados durante 19 anos

Após 19 anos à frente da companhia, Nildemar Secches deixou em 9 de abril a presidência do Conselho de Administração da BRF. Ao longo de sua gestão (14 anos como CEO e quase seis anos como chairman), a empresa deu retorno médio anual de 25% aos acionistas. Engenheiro, com mestrado em finanças e doutorado em economia, ele assumiu a função de presidente executivo da antiga Perdigão em janeiro de 1995. Fundada em 1934 no oeste de Santa Catarina, a empresa passava por dificuldades e havia sido adquirida por um grupo de oito fundos de pensão.
Nildemar trazia a bagagem de diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e diretor-geral da Iochpe-Maxion.
Com Nildemar à frente, a Perdigão deixou de ter perfil agropecuário e se tornou fabricante de alimentos processados. Ele modernizou a gestão e simplificou a estrutura societária, cortando o número de empresas do grupo de 13 para duas. Aprimorou a governança corporativa e valorizou a Perdigão no mercado financeiro, fazendo dela a primeira empresa brasileira de alimentos a ter ações listadas na Bolsa de Nova York e uma das pioneiras no Novo Mercado da Bolsa paulista. Investiu em logística e criou novas bases de produção no Centro-Oeste, a exemplo da cidade de Rio Verde, em Goiás. Expandiu as exportações e impulsionou a internacionalização da companhia. Reforçou o portfólio de marcas, entrou em novas categorias, como perus e lácteos, e conduziu a compra de empresas, como Batávia e Elegê. Mais recentemente, Nildemar liderou o processo de fusão da Perdigão e Sadia, que resultou, em maio de 2009, na formação da BRF como uma das maiores empresas de alimentos do mundo.

 

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